Xadrez, Latão e Porto
O tabuleiro de xadrez repousa,
um campo de batalha silencioso
onde reis e rainhas avançam
como memórias que se movem devagar.
Ao lado, o relógio antigo de latão
guardam o tempo com dignidade,
brilhando num ouro envelhecido
que parece ter ouvido conversas de séculos.
O tique-taque é quase um feitiço,
um compasso que embala o passado
sem nunca o deixar fugir.
E então, o vinho do Porto,
rubro e profundo,
desce pelo copo como uma história líquida.
Tem o sabor das noites longas,
das mesas de madeira,
dos segredos ditos em voz baixa.
Quando estes três se encontram —
xadrez, latão e Porto —
o mundo abranda.
É como entrar numa sala antiga
onde o tempo não pesa,
apenas conversa.
O jogo pensa,
o relógio respira,
o vinho sorri.
E tu, que observas,
torna‑te parte da cena:
uma alma que sabe apreciar
o encanto das coisas que duram.


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