A Escola Portuguesa de Quadros de Ardósia
Na sala antiga,
a ardósia respirava silêncio,
um negro profundo onde o giz
desenhava o mundo com traços frágeis.
As escolas portuguesas de outrora
tinham paredes que guardavam ecos,
cadeiras de madeira que rangiam histórias,
e quadros de ardósia
que eram janelas para o saber.
O professor escrevia devagar,
como quem semeia luz,
e cada palavra branca
parecia neve a pousar
numa noite de inverno.
Os alunos, atentos,
seguiam o ritmo do giz,
que riscava, apagava, voltava a nascer,
num ciclo de aprendizagem
tão simples quanto sagrado.
A ardósia era firme,
fria ao toque,
mas quente de memória.
Guardava erros, sonhos, contas mal feitas,
poemas começados, mapas do país,
e o desenho tímido de quem descobria o mundo.
Hoje, quando encontramos um desses quadros,
o tempo abranda.
É como abrir uma porta para a infância do país,
onde o saber era escrito à mão
e o futuro começava
num traço branco sobre o escuro.


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